Figuras de linguagem - exercícios (gabarito)


1. 
a) Personificação: o tempo é retratado como um senhor que, ao mesmo tempo, é também jovem. Há também uma comparação: O tempo é um senhor tão bonito quanto o filho do sujeito.
b) O ideal é perceber a ideia de que o tempo, embora "velho", já que existe desde sempre, é também "filho", ou seja, jovem, pois se renova sempre, nunca deixa de existir.

2. 
a) É a metonímia. No cartaz, a ave - o avestruz - é referida por uma de suas características, a qualidade.
b) Com o uso da metonímia, o anúncio acentua a qualidade do produto: a marca "Santa Marta" não serve uma ave qualquer, mas uma ave com muita qualidade, conforme se pode inferir pela metonímia.

3.
a) "Venha morar com comodidade/Total segurança/A prova de roubo, fogo e radiação/Seu dinheiro aplicado/Mesmo depois do fim do mundo"; "Sauna, play ground, piscina com sol artificial/Todas as comodidades que você tem agora/Você terá no nosso edifício/Um recanto de sossego pra você e sua família/E deixe o mundo queimar à vontade lá fora", entre outros.
b) 
> "Pense no futuro; "Não se preocupe/Se vai dar pra comprar/Você tem a sua vida inteira/Para pagar".
> Venha conhecer/O primeiro condomínio/Com abrigo nuclear/Da América Latina"; "É pronta entrega/Até o ano de 2000/Sauna, play ground, piscina com sol artificial/Todas as comidades que você tem agora/Você terá no nosso edifício."
> "Venha morar com comodidade/Total segurança/A prova de roubo, fogo e radiação"; Um recanto de sossego pra você e sua família/E deixe o mundo queimar à vontade lá fora".

4. Alternativa c.

5. Alternativa e.

6. 
a) A expressão é "meu Deus" e ela indica compaixão, indignação diante da cena.
b) Trata-se de uma gradação, que revela a degradação humana: quem remexe o lixo em troca de alimentos não é o cão, nem o gato, nem mesmo um rato, animal considerado asqueroso em nossa cultura, mas, sim, um ser humano.

Dadaísmo - poema - exercício com gabarito (Vanguarda europeia)


Dadaísmo 

O poema a seguir fornece uma "receita" de construção poética, segundo os dadaístas. Leia-o. 

Receita de poema dadaísta 
Tristan Tzara 

Pegue um jornal. 
Pegue a tesoura. 
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema. 
Recorte o artigo. 
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam este artigo e meta-as num saco. 
Agite suavemente. 
Tire em seguida cada pedaço um após o outro. 
Copie conscienciosamente na ordem em que as palavras são tiradas do saco. 
O poema se parecerá com você. 
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido 
[do público. 

TZARA, Tristan. Receita de poema dadaísta. In: TELES, Gilberto Mendonça. 
Vanguarda europeia e Modernismo brasileiro. 
Rio de Janeiro: José Olympio, 2012. 

1. Os dadaístas propunham a abolição da lógica. Como se expressa essa ideia no texto? 

2. O poema revela total indiferença pela participação do leitor. Que trecho dele evidencia essa ideia? 

O dadaísmo foi o mais radical dos movimentos de vanguarda. Tem como princípio a negação da lógica, da coerência e da cultura, numa espécie de protesto contra o absurdo da guerra. 
Tristan Tzara (1896-1963), romeno que viveu na França, foi o líder do movimento dadaísta. Afirmava ele que dadá, palavra que encontrou casualmente num dicionário, pode significar: rabo de vaca santa, mãe; certamente; ama de leite. Mas o próprio Tzara acabou afirmando, no manifesto dadaísta: 
DADÁ NÃO SIGNIFICA NADA 

A meu pai morto - Augusto dos Anjos (gabarito)


a) Os quartetos revelam que, mesmo no contexto familiar, o terrível momento da morte pode passar despercebido: nem o filho nem a mulher o notaram. 
b) A palavra mesmo indica que a morte do ser não produziu alterações na natureza, que permanece bela. 

2. 
a) O eu lírico vale-se, no segundo quarteto, de um argumento científico: não há possibilidade de resistência a unia lei biológica. 
b) O adjetivo duras pode ser entendido como "impiedosas", "cruéis", sugerindo uma leitura subjetiva, ou "imutáveis", "permanentes", em uma leitura objetiva. 
c) No primeiro soneto, a visão da morte contém certo espiritualismo, incomum na poesia de Augusto dos Anjos, na imagem da transcendência do pai falecido subindo ao céu. Já o segundo poema submete a morte à visão materialista, que ressalta a decomposição do corpo em função das leis biológicas. 

3. 
a) O poema trata da morte do pai, tema sério e emocional, a partir de referências grotescas, como a comparação da mão em putrefação com queijos roídos ou dos rins cobertos pela terra. 
b) A frase remete à lamentação "Pobre meu Pai!", que ecoa o poema anterior, mas a desconstrói com o uso de podre, que abre a abordagem material da morte. 
c) As palavras microrganismo, fermentação, moléculas, atômica e necrófagas fazem parte do léxico científico. 
d) Certamente os leitores do início do século surpreenderam-se com o estilo de Augusto dos Anjos, o que se evidencia na rejeição inicial à sua obra. Estavam acostumados com uma literatura que separava aquilo que era da ordem do poético daquilo que se constituía como referência vulgar. As ousadias da ar e moderna, que posteriormente se integraram ao repertório dos leitores atuais, reduzem um pouco o impacto da leitura dos poemas de Augusto dos Anjos, mas, no caso específico desses sonetos, o uso de referências vulgares para tratar da morte do pai ainda causa estranhamento e incômodo. 
Professor: A análise considera as reações mais comuns; é possível aceitar outra resposta, desde que justificada com coerência. 

Atividade de literatura - 1º ano do ensino médio - Poema de Augusto dos Anjos "O morcego"


O morcego

Meia-noite. Ao meu quarto me recolho. 
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede: 
Na bruta ardência orgânica da sede, 
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho. 

"Vou mandar levantar outra parede ..." 
— Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho 
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho, 
Circularmente sobre a minha rede! 

Pego de um pau. Esforços faço. Chego 
A tocá-lo. Minh'alma se concentra. 
Que ventre produziu tão feio parto?! 

A Consciência Humana é este morcego! 
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra 
Imperceptivelmente em nosso quarto! 

Augusto dos Anjos. Domínio público. 

Faça uma análise do poema. 

1. Busque no dicionário o significado de palavras desconhecidas. 

2. Inicie sua análise pelo título e pelo tema do poema: o que o morcego representa? Ele é comparado a quê? Que características do animal possibilitam essa comparação? 

3. Descreva como o tema é desenvolvido em cada estrofe do poema. Considere: 
⦁ a escolha das palavras; 
⦁ as imagens construídas pelo poema; 
⦁ as figuras de linguagem empregadas.

GABARITO

O poema traz uma visão pessimista da vida e do ser humano. A figura do morcego no poema "O morcego", de Augusto dos Anjos, é comparada à consciência humana. Assim como o morcego, a consciência aparece quando nos recolhemos em nosso quarto, à noite, e, por mais que tentemos afastá-la, ela nos mostra que nossa natureza é ruim, é feia, é monstruosa. Na primeira estrofe, o eu lírico afirma que, em seu quarto, de noite, é mordido na goela por um morcego. O sangue que escorre de seu pescoço é comparado metaforicamente a um molho por sua cor vermelha, temperatura muito quente e consistência espessa ("ígneo e escaldante molho"). Além disso, o sentimento de desespero do eu lírico aparece em seu apelo a Deus ("Meu Deus! E este morcego!"). 
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